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Crónica de uma Queda Anunciada

A característica que melhor define a actuação da Igreja Católica ao longo destes últimos 2009 anos chama-se «hipocrisia». É certo e sabido que a diferença entre a palavra da Bíblia e a regulamentação imposta pelos seus representantes tem motivado acesa discussão desde que a Igreja Católica é igreja. Um pouco de leitura da sua história será suficiente para se estabelecer o confortável espaçamento crítico entre o que está escrito e o que é instituído como prática da igreja.

Não quero com isto questionar as palavras da Bíblia – elas estão lá; nem quero, de forma alguma, questionar a autoridade da Igreja perante os seus fiéis – ela existe. Estou apenas a referir-me à diferença que existe entre ler-se «este é o meu sangue» e o assumir-se dogmaticamente que o vinho se transforma verdadeiramente em sangue – é uma questão de fé. Há igrejas que consideram um acto simbólico; a Católica vê o milagre da transubstanciação.

Também não nos podemos esquecer – nem convém, a bem da verdade – que as igrejas que surgiram através de cisões com a Igreja Católica têm como base de desentendimento o significado e posterior prática dos rituais, pressupostos e actuações da mensagem de Cristo. O Novo Testamento é uma base de referência que não é questionada; o que são questionados são os rituais e as obrigações instituídas pelos representantes da Igreja.

Ora bem, as recentes declarações do Papa, em pleno continente Africano, não só caíram mal na comunidade mundial, como geraram uma onda de protesto vinda dos mais variados países, com expressões diversas desde a condenação pública ao envio de um milhão de preservativos para combate à doença.

Num continente que está a braços com a maior epidemia na história do Homem, e onde estão identificados mais de 70% dos casos de infecção do VIH por falta de informação, por preconceitos ou superstições retrógradas acerca da sexualidade, o mais alto representante político da Igreja Católica não tinha mais nada que dizer senão que o preservativo não só não é solução para prevenir a infecção, como em muitos casos é a causa dessa mesma infecção. Então? Estamos a brincar aos líderes radicais?

A comunidade mundial torceu o nariz. E com razão. Andamos nós, cidadãos, docentes, agentes sociais, amigos, companheiros, irmãos e irmãs, numa já longa “cruzada” (a ironia) contra esta doença, informando, ensinando, tentando mudar hábitos sexuais de risco, e é esta a orientação da Igreja? Estamos nós, o resto do mundo, lutando diariamente contra a ignorância humana, em prol da consciencialização e de uma sexualidade responsável, gastando energia e dinheiro em campanhas e acções de sensibilização para tentar manter os nossos semelhantes vivos e livres desta doença, e são estas as palavras do chefe da Igreja Católica?

Ficou muito mal ao senhor Papa, da mesma forma que ficou muito mal aos católicos num todo. Já havia acontecido antes e a rejeição foi semelhante (embora mais contida); desta vez, fruto talvez da pouca popularidade deste Ratzinger, a reacção foi mais agressiva. E ainda bem que o foi.

Como é que podem haver dúvidas acerca da razão da crise de vocação de que tanto se queixam os líderes católicos? Como é que alguém pode procurar conforto e amparo numa igreja autista e desfasada da realidade? E de novo chamo a atenção para o facto de esta crítica estar dirigida aos homens que gerem a Igreja e não à palavra escrita na Bíblia. Já expliquei porquê.

A sorte desta instituição (e se calhar a razão pela qual o título deste artigo jamais se concretizará) é que o seu maior defeito é também a sua maior virtude. Isto é, habituados que estão à velha máxima do «faz o que eu digo e não faças o que eu faço», os católicos têm plena consciência de que entre o que o padre diz e aquilo que é suposto ser feito vai uma grande distância. Tem sido assim, especialmente após o Renascimento e o desaparecimento da ignorância generalizada da Idade Média.

Não obstante, as palavras do Papa caíram mal, como um soco no estômago de todas as pessoas para quem o valor da vida deverá ser mais importante do que a moral. E torna-se estranho, quando a defesa da vida está na base da argumentação utilizada contra a IVG e acaba por ser questionada quando a Igreja rejeita um método que preserva a vida.

Alegar que a mudança das consciências das populações é o caminho ideal para evitar o contágio, está certo. E o mundo concorda. Agora, fechar os olhos para o presente e invocar a moral proibitiva do uso do preservativo, apesar de, em 2007, 22 milhões de pessoas em África viverem com o vírus do VIH, 1,5 milhões de pessoas morreram por causa da SIDA e 11 milhões de crianças ficaram órfãs é, no mínimo, aterradoramente inconsequente. «Shame on you, mr. Pope, shame on you…»

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A Incomensurável Pequenez do Eu

Após ter decidido fazer um interregno de três meses desde a publicação do meu último texto, e enquanto pensava se deveria ou não voltar a publicar algo de carácter opinativo, eis que leio um artigo sobre a diferença de tratamento entre terceirenses e micaelenses, e o «orgulho ferido» que alguns dos primeiros sentem em relação aos segundos.  (senti necessidade de escrever)

Este tipo de discurso «bairrista» tem estado presente ao longo de toda a nossa história de arquipélago e tenho-o ouvido da boca das pessoas e lido nos mais diversos artigos de opinião.

Devo confessar que quando era mais novo aceitei a preferência do governo por São Miguel em detrimento das outras ilhas como um facto, um dado adquirido na vida insular dos açorianos: os micaelenses tinham tudo e os terceirenses (sem falar nos outros), pobres coitados, não tinham nada.

Contudo, cresci. Vivi em São Miguel durante alguns anos, na persecução dos meus estudos, e fiz amigos lá e em muitas outras ilhas. Tive a oportunidade conviver com mentalidades e de tomar contacto com vivências muito diferentes entre si.

Presentemente, considero ser este um tipo de discurso caquéctico, infundado e muito perigoso, que serve apenas para alimentar rivalidades e impedir o desenvolvimento daquela visão de conjunto que nos deveria caracterizar como arquipélago.

Somos todos açorianos e sentimos o peso da insularidade. Contudo, não devemos basear a nossa actuação num sentimento ressabiado e invejoso perante os nossos semelhantes que, durante o povoamento, se decidiram instalar na ilha que acabou por se revelar ter uma grande capacidade de expansão.

Somos nove ilhas, em tudo diferentes e com características muito próprias, tal como as gentes que as habitam. Mas, deverá o irmão mais novo ralhar com os pais porque o irmão mais velho é bem sucedido? Mesmo que este sucesso tenha uma proporcionalidade directa entre o seu trabalho e as condições de expansão dadas pelos pais? E se o mais novo não trabalha por isso, preferindo fechar-se no quarto a chorar e a dizer que não consegue porque está condenado à partida pela preferência dos pais?

Penso que não deverá. Penso que o caminho para o desenvolvimento das nossas ilhas passa impreterivelmente pelo abandono urgente deste discurso de rivalidade infundada que se baseia na assunção de que «uns têm tudo e os outros não têm nada».

 Enquanto não olharmos para as ilhas como «zonas» de uma região e não regiões em si mesmas (que é o que este discurso acarreta consigo), nunca seremos capazes de criar um sentimento de igualdade que nos permita evoluir e desenvolver os Açores de uma forma justa e sustentada.

 A verdade é que o facto de a Base Aérea nº4 estar sedeada na ilha Terceira não pode (nem deve nunca) ser condição sine qua non para que tudo o que tem que ver com os norte-americanos seja feito nesta ilha. Não nos faltava mais nada senão a Horta reclamar para si o domínio de tudo o que diz respeito à vela, porque a história lhe pertence. Ou ainda tudo o que for feito sobre Antero, Natália, Domingos e outros ser feito única e exclusivamente em São Miguel. Ou em primeiro lugar.

Os Açores já estiveram mais divididos, é certo. Ainda me lembro de se provocarem discussões e brigas com os «de fora» porque eram de São Miguel, particularmente. Vulgares demonstrações de ignorância que felizmente se esbateram graças à melhoria das possibilidades de deslocação dentro e fora do arquipélago.

 Serão estas condições de mobilidade que vão permitir que esta ideia de arquipélago se revele e se instale na matriz de vida das gerações futuras. Os nossos jovens já partilham desta visão – basta vê-los de ilha em ilha em festivais, festas de freguesia e visitas aos amigos.

Mas até as rivalidades se esbaterem é necessário lutar contra estas vozes dos «desgraçadinhos», estas teorias da conspiração e da inveja, e trilhar um caminho uno, múltiplo e irmanado. O passado deve servir de guia, nunca de âncora.

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Tradução 2




















Por mais voltas à cabeça que dê, continuo sem saber o que quer dizer a expressão «A favor de...»; como também não sabia que papel em inglês tinha dois p's; nem que lixo se escrevia «garbith»...

Bem, malhas que o império tece...

Ah, já agora, ofereço um chocolate Snicker a quem descobrir onde se encontra esta imagem. Posso adiantar que é na porta de uma casa-de-banho de um estabelecimento de restauração. E mais não digo.

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O Casamento entre Homossexuais

José Sócrates apresentou, na sua moção global de estratégia, aquelas que serão algumas das questões que gostaria de ver tratadas ao ser eleito secretário-geral do Partido Socialista, no XVI Congresso Nacional do PS, e, mais tarde, ao ser eleito Primeiro-Ministro de Portugal nas eleições legislativas.

De todas as questões apresentadas (como a Regionalização, a Saúde, o aumento da escolaridade obrigatória para o 12º ano, etc.), aquela que, neste momento, mais alegria me dá ao vê-la apresentada é a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Isto porque ainda durante o ano de 2008, o Partido Socialista rejeitou uma proposta na Assembleia da República, através da disciplina de voto, discilina esta a que a JS ficou isenta uma vez que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma bandeira desta juventude partidária.

Tal como a IVG, cuja implementação efectiva na sociedade portuguesa necessitou de mais de uma década para ver a sua implementação, também o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma proposta defendida há já muito tempo pela JS.

A luta pelo casamento entre homossexuais é algo que transcende a mera questão da orientação sexual de um indivíduo. Não deveremos (tal como aconteceu no caso da IVG) emitir juízos de valor ou usar falsas moralidades para tentar escamotear esta questão que é meramente uma de igualdade.

Como Estado de Direito em que vivemos, o Estado Português deverá lutar (agora e sempre) pela manutenção de uma situação social de igualdade entre todos os seus cidadãos. A igualdade não se revela apenas nas questões de igualdade de oportunidades ou de tratamento. A igualdade revela-se na forma como o Estado olha para os seus cidadãos e os mecanismos de apoio/tratamento que lhes disponibiliza nas mais diversas esferas sociais.

O permitir que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo seja reconhecido como igual ao casamento entre pessoas de sexo diferente é única e exclusivamente uma questão social de igualdade. Queremos ou não que os homossexuais tenham os mesmos direitos que os heterossexuais? 

Na minha opinião, tudo se resumirá a esta questão: são ou não são os homossexuais iguais aos heterossexuais? Será a orientação sexual uma questão que deva ser tratada como, por exemplo, uma incapacidade motora?  À qual o Estado deverá tomar atenção, como no caso dos paraplégicos, colocando rampas e dando acesso às mais diversas formas de inclusão social? 

Ou, por outro lado, será a sexualidade uma coisa que só ao indivíduo dirá respeito? Será um homossexual em tudo igual a um heterossexual? É que o pseudo-argumento da constituição da família numa óptica católico-cristã cai por terra nos casos dos casais heterossexuais que não têm filhos ou que não querem ter filhos. Pergunta: não estarão estes casais, como no caso dos homossexuais, a perverter a ideia-base-católico-cristã do casamento? Não foi o casamento feito para a procriação?

Bem, o que interessa, na minha muito modesta opinião, é que o debate seja elevado (coisa que, com a IVG, este quase a não o ser - de novo) e que as questões sejam tratadas pelo que na realidade são e não pelas razões por que cada um de nós «acha» isto ou aquilo correcto.

Mas atenção - e aqui é que a porca torce o rabo no que concerne ao casamento entre homossexuais:  se um casal homossexual se pode casar, na base da igualdade perante os outros casais, também poderá adoptar uma criança?

Fica a provocação...

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Tradução















Intriga-me a falta de atenção e displicência com que são tratados alguns pormenores que, não sendo de mor importância, definem muito o nível de qualidade e profissionalismo das actividades e dos projectos. Então «Bagagem União Europeia» é a mesma coisa que «União Europeia Baggage». Não existe a European Union?

É isto que somos... num aeroporto, a sinalética foi decerto encomendada a alguém conhecido que até se desenrasca no inglês? Deu jeito para ganhar uns trocos? Ou temos mesmo um tradutor profissional deste calibre a trabalhar na ilha? 

Entristece-me.

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E.U.A. - Comunidades

Nos dias 5, 6 e  7  de Dezembro, reuniu-se em São José da Califórnia, o grupo de trabalho informal de jovens, do qual sou mandatário, para se trabalhar em prol de uma maior aproximação entre os Açores e as Comunidades, nomeadamente no que diz respeito às associações espalhadas pela nossa Diáspora.

Não comentando aqui com detalhe o medo que tenho de voar e o quanto me custou aceitar viajar entre Terceira/Lisboa; Lisboa/Frankfurt; Frankfurt/Denver; Denver/San José num só dia, a verdade é que a reunião saldou-se muito positiva e os resultados, na minha modesta opinião, são bastante interessantes.

Mas a razão deste post prende-se com a percepção das comunidades portuguesas (em especial as açorianas) nos Estados Unidos da América. Existem comunidades espalhadas por todos os estados, é verdade, e também cada comunidade acabou - ao longo do tempo - por se ir dispersando na criação de associações que congregassem no mesmo espaço os membros dessas comunidades. Desde Casas dos Açores, Casas do Benfica, do Sporting, Centros de Convívio, etc., a verdade é que desde os 1800s, que os portugueses têm vindo a criar um espaço muito próprio e integrado na sociedade norte-americana, mantendo, no entanto, elementos muito característicos da sua cultura.

Onde antes se via uma emigração não-qualificada, altamente religiosa e tradicionalista, que tentou manter inalterados os valores da terra que foi obrigada a abandonar por falta de condições de vida. Compreende-se, portanto, que a visão que os emigrantes das primeiras gerações têm dos Açores seja ainda uma muito apegada ao passado, filtrada por um olhar de saudade e de embelezamento, normal em todas as evocações de memória do ser humano.

E daí que o Governo Regional dos Açores tenha acabado por fazer a vontade a tantos emigrantes, oferecendo-lhes não só as condições para a manutenção das actividades culturais que costumavam realizar nas ilhas, como também agraciando-os com visitas e representações oficiais do governo, trazendo consigo artistas que congregavam a continuidade dessa mesma visão saudosa dos Açores.

No entanto, e graças às mudanças operadas nos últimos doze anos nos Açores, a realidade do arquipélago foi-se alterando, foi-se modernizando e adaptando às exigências do mundo contemporâneo (por vezes bem, outras nem tanto, é certo) de tal forma que aqueles emigrantes que continuam a visitar regularmente os Açores detêm uma visão da realidade mais actual e condizente com o avanço do nosso arquipélago. 

E os que não mais voltaram a casa, ou cuja última viagem foi há mais de doze anos, acabam por cristalizar essa visão dos Açores, transportando-a depois para as manifestações sociais, culturais e religiosas que são realizadas na Diáspora da América do Norte. São estes, ou grande parte destes, os emigrantes que detêm o poder  (senão todo, pelo menos parte) das associações de que fazem parte. Como tal, logicamente, assiste-se a um desfazamento entre o que é a realidade açoriana contemporânea e a visão das coisas destes emigrantes.

Até aqui tudo bem, no sentido que a saudade e o embelezamento do passado não trará grandes males ao mundo. Mas a verdade é que a maioria destas associações e organizações começam a deparar-se com grandes dificuldades, nomeadamente na angariação de jovens para a pertença e participação nas suas actividades. Associações há que organizam festas em que os jovens presentes (salvo as excepções, é claro) têm menos de dezoito anos. Porquê? Porque os pais os obrigam a participar e a assistir às festividades. Mas, à mínima hipótese que têm de não voltar a pôr os pés na Casa dos Açores da sua zona, desaparecem e perdem a única porta de informação acerca do seu passado e contacto com o património histórico português (e açoriano, no enfoque deste post).

Ora bem, a emigração para o norte da América está praticamente estagnada e, quando a há, é feita por pessoas com maiores qualificações cujo intuito das suas viagens se prende maioritariamente com trabalhos de investigação, bolsas de leccionação e outras demais actividades muito definidas no tempo e, portanto, voláteis.

Há a necessidade (e as pessoas encarregues das associações dizem-no) e a urgência de se definir novos modelos de actuação e imprimir nas comunidades açorianas da Diáspora o sentido de integração dos mais jovens nas suas associações (e respectivas direcções), até porque a não renovação implica necessariamente a morte.

Existem muitos grupos de trabalho e associações cuja função é precisamente aumentar a interacção entre os jovens e as associações criadas pelos emigrantes, numa «passagem de testemunho» que se tem revelado cada vez mais essencial e vital à manutenção das estruturas criadas ao longo do tempo.

Se antes, por alguma dificuldade de integração na comunidade norte-americana, os nossos emigrantes açorianos sentiram necessidade de criarem associações para promoverem a interacção entre os seus, agora, fruto da globalização, do acesso à informação e da qualificação dos filhos dos emigrantes, o interesse dos jovens nestas associações é pouco ou nenhum.

Contudo, para que se opere uma mudança de verdade no seio da comunidade portuguesa, e mais especificamente na integração e renovação dos jovens nos movimentos associativos da Diáspora, é necessário dar-se espaço para que os jovens sintam as associações como parte deles e aceitem trabalhar nelas. E é condição vital que os mais velhos abram de uma vez por todas os olhos e os seus horizontes, e apostem nesta nova geração não como um acto de bondade ou caridade, mas como um investimento no futuro e uma aposta na continuação e renovação.

Denver, Colorado, 7 de Dezembro, 12:50

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Lição de Português - PSD

Recentemente, a iluminada líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, disse publicamente que talvez não fosse uma má ideia haver um espaço de 6 meses onde não haveria democracia para que fosse mais fácil a implementação de medidas pouco-populares e, segundo ela, necessárias para fazer avançar o país.

O PS apressou-se a considerar o comentário como sendo indicador de uma política quase-fascista, evocando medos passados de um regime que em nada abona a favor do nosso país. Normal, tendo em conta que a forma como a líder social-democrata colocou a questão. É que, embora esse possa ser o pensamento de alguns dos nossos governantes (incluindo os do PS), a verdade é que afirmá-lo publicamente é um enorme «tiro no pé» porque o povo gosta mas o politicamente correcto não.

Agora, o que me irritou profundamente foi o PSD ter vindo a público tentar desfazer o que a Leitinha tinha (ehehe, uma aliteração bonitinha) feito. Isto é, dar o dito por não dito e esclarecer que, afinal, o que a senhora tinha feito tinha sido «ironia».

OH... a ironia agora faz-se de cara séria, profundamente convicto daquilo que se está a dizer, não dando ao público uma qualquer noção de que o conteúdo da mensagem não é para ser levado a sério. Muito bem. A dra. Manuela Ferreira Leite fez das duas uma:

a) ou inventou uma nova forma de fazer ironia, que ainda não é completamente compreendida por todas as pessoas e, como tal, necessita de um «side-quick» para vir explicar-nos do que se trata;

b) ou afinal não era aquilo que ela queria dizer.

De qualquer das formas, o que me irritou profundamente foi ver um líder dizer o que pensa e logo a seguir vir a sua «assessoria» tomar-nos por tolos e ignorantes e pensar que dizer que foi «ironia» é suficiente para nos tapar o sol.

Detesto que me tratem como um néscio.

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A Academia de Juventude da Terceira - um espaço voltado para o futuro

Ao longo do ano de 2009 ficará concluída aquela que será a primeira Academia de Juventude dos Açores – a Academia de Juventude da ilha Terceira. Um projecto deveras estruturante para a juventude terceirense – realizado em parceria entre o Governo Regional e a Câmara Municipal da Praia da Vitória –, na medida em que congregará, num mesmo espaço, valências de apoio à criação juvenil, um posto de informação juvenil, um gabinete de apoio às toxicodependências, o Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta entre outras infra-estruturas.

Esta academia será também equipada com duas oficinas de criação de artes plásticas (com fornos eléctricos para cozedura), uma zona de espectáculos com palco ajustável ao público, um estúdio de gravação de áudio e um estúdio de produção de vídeo, e ainda duas salas de ensaio à prova de som, que estarão disponíveis para as mais variadas colectividades de jovens, sejam elas musicais, teatrais, associativas, ou outras.


Para além da Academia de Juventude, o Governo Regional apoiou e desenvolveu o Labjovem, o primeiro concurso regional de jovens artistas, que se encontra presentemente na fase da mostra dos trabalhos seleccionados e que, pela mais de centena de projectos a concurso, atestou a pujança criativa dos jovens açorianos.


Uma terceira fase deste projecto de apoio à criação tem que ver com o desenvolvimento – com base nas infra-estruturas e os artistas emergentes do concurso regional de jovens artistas – de workshops criativas, formações, site specifics e outras acções formativas que pretenderão a congregação e a troca de experiências entre os jovens artistas açorianos, o continente português, a Europa e as comunidades.


Aliás, a promoção cultural tem sido uma grande aposta do Governo Regional dos Açores, que se materializa não só na recolha e no apoio concedido aos artistas da ilha, como também na construção da nova Biblioteca e Arquivo de Angra do Heroísmo, uma obra que se encontra neste momento em fase de selecção dos consórcios de construção e que brevemente fornecerá um serviço público de inestimável valor ao povo terceirense.


Sendo a juventude uma área transversal a toda a governação socialista ao longo destas legislaturas, é natural que o Governo Regional esteja preocupado com as suas mais diversas valências, nomeadamente a defesa e materialização dos conceitos da emancipação dos jovens e da participação na sociedade, o que no caso da emancipação dos jovens passa pela inclusão das matérias de promoção de hábitos de vida saudáveis e de prevenção primária proactivas, incentivo à livre iniciativa e ao empreendorismo dos jovens, bem como por um incremento de políticas de coesão social e territorial.


Deste modo, e não descurando outros objectivos globais descritos em outras áreas de actuação governativa, os objectivos definidos em matéria de juventude são desenvolvidos em torno dos seguintes conceitos chave: cidadania e participação; educação não formal; emancipação jovem; mobilidade; cooperação.


Assim, na área da juventude, o Governo prevê a implementação de programas de cidadania como o «Fórum Jovem – Escola de Cidadania”; a criação de um novo programa de incentivo ao voluntariado; a criação de um sistema de validação e reconhecimento de competências adquiridas por via de experiências de educação não formal e informal; a criação da rede de oficinas de criação com a designação “Criatividade + Juventude = Oficinas de Criação”.


Desta forma, como podemos constatar, o compromisso assumido pelo Governo Regional com a juventude e a cultura é um compromisso que foi, está a ser e será cumprido na próxima legislatura do Partido Socialista.


A Academia de Juventude é, como podemos constatar, apenas um exemplo da concretização efectiva deste compromisso.

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Estagiar L no Continente?

A Juventude Social Democrata está preocupada com a juventude açoriana. Tão preocupada com a situação, que propôs a aplicação dos critérios do Estagiar L semelhantes aos critérios do continente.

Impõe-se a pergunta: QUE ESTAGIAR L no continente?

Estes gajos andam a dormir. O Estagiar L é uma criação do Governo Regional, que viu neste programa uma forma de incentivar a empregabilidade dos jovens açorianos. É certo que algumas empresas servem-se deste programa para empregar (a custo quase 0) vários jovens ao longo de períodos de 6 meses. Isto tem que ver com uma base cultural deplorável e contra a qual nos devemos insurgir.

Agora, que JSD é esta? Apresenta propostas com base em programas que não existem? Não será melhor (tal como já tinha dito publicamente) os miúdos da JSD fazerem o trabalho de casa e depois virem falar para a televisão??


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O Comunicado do nosso Presidente

No dia 31 de Julho de 2008, pelas 19h00, hora dos Açores, o Presidente da República Portuguesa fez uma comunicação ao país importante. Tão importante que foi necessário interromper as suas preciosas férias para a fazer.

E de que tratava a comunicação? Um estado de emergência? Uma declaração de estado de sítio? Todo o país ficou em expectativa acerca do conteúdo da comunicação, uma vez que tal não é usual senão com razões de grande importância e relevância para o país.

Ficámos descansados por saber que não se tratava da declaração de estado de sítio nem nada do género. Afinal, tratava-se apenas de uma declaração de intenções ao país, na qual o PR revelou mais uma vez ser uma pessoa de visão curta e estigmatizada no que concerne às autonomias regionais e ao papel que o próprio desempenha nos destinos das mesmas.

É que, ao invés de explicar as razões que levaram o Tribunal Constitucional a declarar inconstitucionais 8 das 13 normas do estatuto político-administrativo dos Açores que suscitaram dúvidas, embora não fosse tal da sua incumbência, o PR veio apenas falar de outras normas do estatuto com as quais não concorda.

O grande problema da sua comunicação não é o de vir a público revelar as suas reservas quanto às normas do estatuto. A questão é que se trata de um estatuto que foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa Regional e na Assembleia da República e apenas reprovada pelo Tribunal Constitucional nas tais 8 normas.

Assim, que o PR tenha reservas, tudo bem. Não haverá mal ao mundo. Mas interromper as suas férias e fazer uma comunicação oficial ao país para explicar que, não se tratando das questões levantadas pelo Tribunal Constitucional, existem ainda outras questões políticas com as quais não concorda, isso é que é de estranhar.

Então o PR não tem mais que fazer que vir a público declarar-se contra a posição do Governo Regional em querer ser ouvido - na figura do seu Presidente da Assembleia Legislativa - nos casos da dissolução da dita assembleia?

Não há mais que fazer que tentar (numa linguagem polida e altamente complexa) dar a conhecer a sua visão da autonomia regional dos Açores? Usando para isso a declaração ao país? Fazendo com que 10 milhões de pessoas o ouvissem para apenas 1% perceber de que se trata?

E a imagem (se calhar propositada) que passa para a opinião pública é a de que os Açores querem mais autonomia (como se fosse algo mau) e que tal não está de acordo com a opinião do Presidente.

Quando a totalidade dos deputados da Assembleia Legislativa dos Açores e da Assembleia da República não viram qualquer problema nas questões que o PR levantou, fica a dúvida. Será que todos os deputados são cegos-surdos-mudos e andaram com um estatuto nas mãos que não leram?

Ou será mesmo uma questão de opinião pessoal do PR, fazendo-se valer dos seus poderes para limitar a voz da autonomia regional dos Açores no cômputo geral do país?

A ver vamos.

http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=18958

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Entrevista a Marilyn Manson

A admiração que temos pelas pessoas que são nossos exemplos sofre, ao longo da nossa vida, inevitáveis altos e baixos cujas consequências directas na nossa maneira de ser, fruto do olhar que temos sobre as mesmas, poderá ser de maior ou menor importância para o nosso dia-a-dia. Exemplo disto é a forma natural com que os filhos se vão apercebendo de que os seus pais não são afinal super-homens nem super-mulheres e que têm, naturalmente, defeitos como todas as pessoas.

Da mesma forma, os artistas que admiramos também são - como de outra forma não seria de esperar - faliveis e (por vezes) grandes burros vestidos. Como humanos que são, a sua veia artística não está sempre nos seus melhores dias e falha. É o caso desta entrevista de Marilyn Manson no David Letterman Show.

Depois de ter visto muitas entrevistas e aparições públicas de Marilyn na televisão, criei uma imagem de eloquência e argumentação que, como podemos verificar neste vídeo, não corresponde nada à realidade.


Fica a dúvida... será que ele só é forte e arrogante quando controla o espaço e as variáveis à sua volta? É porque, neste excerto, dá claramente para ver o ridículo em que se coloca a fraca capacidade de contra-gozar com um velho caquético como o David Letterman.


Se fosse contra o Jon Stewart, eu aceitava... mas contra esta coruja?

Paciência... se calhar sou eu que já não tenho pachorra para pseudo-artistas.

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O Ridículo da Coisa

Recentemente, A AJITER - Associação Juvenil da Ilha Terceira - ameaçou levar a tribunal qualquer fotógrafo ou operador de câmara que fizesse uso comercial de imagens da sua marcha , recolhidas durante a apresentação nas Sanjoaninas de 2008.

Aparentemente, num comunicado prévio aos órgãos de comunicação social, o presidente da associação explicou ter cedido os direitos de imagem da marcha da AJITER a uma empresa (embora não para fins comerciais) e, como tal, socorrendo-se da Constituição da República, ameça levar a tribunal quem usar para fins comerciais as imagens da marcha.

Uma marcha das Sanjoaninas é uma actividade supostamente livre e voluntária, na qual as pessoas envolvidas não só pagam pelas suas roupas como também pela sua deslocação (gasolina, desgaste do carro, comidas fora) e, não tendo qualquer benesse a nível de dispensa de trabalho, abrilhantam uma festa popular que, de outra forma, não teria o elevado número de participantes como tem.

Ora, sendo a AJITER uma associação (supostamente) sem fins lucrativos e, como tal, alimentada dos seus (poucos) sócios através de um sistema de voluntariado, na minha opinião, é muito estranho que tenham "cedido" a sua imagem a uma empresa para, e aqui é ainda mais estranho, a empresa não fazer dinheiro com essa cedência. Para além disso, por que razão fez a AJITER uma marcha? Para que se sujeitaram a marchar livremente nas ruas da cidade, com pessoas a fotografarem, a RTP-Açores a transmitir em directo (será que este caso não conta como uma actividade que gera lucros? - estará a AJITER a pensar em processar a RTP-Açores?, pois, se calhar aqui entra o argumento de que é uma televisão regional).
Se calhar, o problema é mesmo serem empresas privadas... será que a AJITER obrigou a Via Oceânica a não transmitir a sua marcha??? heheheh.
Concluindo, esta é uma "birrazinha" de um dirigente associativo com sede de protagonismo e que faz tudo para conseguir um lugar de destaque na comunicação social.
Como se a marcha da AJITER fosse o "ex-libris" que toda a gente quer ver...
E, sendo a AJITER uma associação que tem poucos mais sócios do que os necessários para a composição de uma marcha, fica a ideia de que esta questão da imagem tem mais que ver com não quererem tirar uma fotografia de grupo sem que possam estar todos sorridentes e alinhados lado a lado.
Verdeiramente, a pequenez tem as suas manifestações caricatas.
Especialmente quando um dirigente associativo, que tanto estava a aparecer na comunicação social, queima todos os seus cartuxos comprando uma guerra da qual sairá completamente agastado e sem possibilidade de renovação.
Parece-me, a mim, na minha modestíssima opinião, que isto não passa de um «estômago danado» como se refere Marte a Baco quando este não quer que os Portugueses sigam o seu caminho para a Índia, n'Os Lusíadas.
Como alguém uma vez disse: «mentes grandes, discutem ideias; mentes medianas discutem eventos; mentes medíocres discutem pessoas.»
Neste caso, imagens de pessoas :-)

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A Falácia do Ensino do Português

No dia 16 de Junho de 2008 realizou-se mais um exame nacional da disciplina de Português em todo o território nacional e ilhas. Desta vez, o conteúdo da prova incidiu sobre Os Lusíadas, mais particularmente sobre o episódio da Ilha dos Amores. Para muitos dos alunos do 12º ano, este foi um exame de engano. Um engano que, para muitas pessoas, não faz qualquer sentido. E um engano que é sintomático do estado não só do ensino do Português em Portugal, como também de uma atitude portuguesa que se encontra impressa na nossa «identidade nacional» desde há muito.

Então, qual é o problema? No programa do 12º ano de Português, Os Lusíadas são ensinados em comparação e análise com a obra dA Mensagem de Fernando Pessoa. Servem ora de contraste ora de confirmação daquilo que o poeta português anuncia do descrédito e o estado moribundo do nosso país na primeira metade do séc. xx. Ora bem, introduzir Os Lusíadas como análise de texto independente é não só desonesto da parte do Ministério da Educação, como revela uma grande tendência portuguesa para dificultar a vida aos alunos e criar obstáculos à sua formação e natural evolução.

Ora vejamos: Eça de Queirós. Um grande escritor, cuja obra é analisada e estudada no programa do 11º ano. Há um conjunto de matérias que têm de ser ensinadas aos alunos: a sociedade portuguesa do séc. xix, as suas personagens e personalidades, as suas mesquinhices, a decrepitude, o marasmo social, a apatia, etc. No entanto, de todas as obras do escritor que tratam estes assuntos - sim, porque são quase todas - qual foi a escolhida para ser o paradigma queirosiano no secundário? OS MAIAS. Nem mais: a maior, a mais chata e menos interessante, a mais maçuda, complicada e cheia de descrições de todas as obras. O Crime do Padre Amaro, A Relíquia, A Capital, A Cidade e as Serras, todas estas não interessam. Qual é a que escolhemos? OS MAIAS.

Vergílio Ferreira. Outro grande escritor, cuja obra é analisada e estudada no programa do 12º ano. De novo, um conjunto de conceitos a ser ensinados aos alunos: a morte, o tempo que nunca se repete, a saudade, a tristeza da condição e da miséria humana, os que já partiram, o passado, etc. No entanto, de novo, de todas as obras do escritor que tratam estes assuntos - sim, porque são muitas as que tratam este assunto - qual foi a escolhida para paradigma vergiliano no secundário? APARIÇÃO. Nem mais: o existencialismo sartriano, o modernismo do séc. xx, as questões da condição humana - perecível, degradada - e todas as restantes questões e a mais complicada de todas as suas obras. Em Nome da Terra, Cartas a Sandra, Até ao Fim, todas estas não interessa. Qual é a que escolhemos? Qual é a mais complicada? APARIÇÃO

José Saramago. Único prémio Nobel da literatura em Portugal. Sem dúvida um grande escritor, cuja obra decidimos introduzir no estudo do 12º ano. De novo, e como uma recorrência, um conjunto de conceitos a serem ensinados aos alunos: a reescrita da história, as particularidades do narrador, a visão crítica do homem contemporâneo, a humanidade do narrador, a particularidade do discurso narrativo com as subversões Às regras de apresentação do discurso directo e a subordinação das ideias, a pequenez do homem em face da história e do tempo, a opressão da igreja católica ao longo dos tempos, os anacronismos narrativos, etc. No entanto, e mais uma recorrência, de todas as obras que tratam alguns destes assuntos - sim, porque estes assuntos são recorrentes na vastíssima obra de Saramago - qual foi a escolhida para paradigma saramaguiano no secundário? MEMORIAL DO CONVENTO. Nem mais: extensa, descritiva, anacrónica, de assunto desinteressante para jovens do secundário, complexa, a mais "chata" de todas as suas obras. O Ano da Morte de Ricardo Reis (que poderia ser analisado em complementaridade com a poesia de Fernando Pessoa e os heterónimos); O Evangelho Segundo Jesus Cristo (com a reescrita da história, a humanidade do narrador, e outras); O Ensaio Sobre a Cegueira (com o modernismo, a condição ferozmente animalesca do homem, a humanidade e a esperança no futuro do narrador, etc.); O Ensaio Sobre a Lucidez (sobre a importância do voto e da participação cívica dos cidadãos, etc.); O Levantado do Chão (sobre os latifundiários do Alentejo e a preparação do 25 de Abril...); nada disto conta. NADA. Qual é a que escolhemos? Qual é a mais secante, complexa e mágica história para entalarmos os miúdos e atrasarmos as suas competências???? Qual é, qual é? O MEMORIAL DO CONVENTO

E este problema verte para as mais diversas franjas da nossa sociedade, com o sentimento do complicar, da burocracia, da complexidade, do tamanho e dificuldade do que se ensina. É isto que perpassa toda esta nossa atitude portuguesa de complicação. Não queremos que os miúdos passem o secundário de uma forma natural. Queremos que eles sofram, que eles suem e que chorem durante todo o percurso. Que matem a cabeça a ler textos e autores que, no mínimo, fá-los-ão NUNCA mais quererem ler semelhantes autores.

Enquanto não assumirmos efectivamente que o ensino deverá ser por competências, independentemente dos conteúdos (tal como cada vez mais acontece nas escolas profissionais e técnicas), não sairemos desta cepa torta. Esta corja de interesses editoriais e ministeriais, uma cultura de aparente dificuldade, quando os países do mundo já perceberam que não se julgam as obras pela sua dificuldade de compreensão.

Esta é a falácia do ensino do Português: para além de falsamente orientados para as competências, os alunos aprendem conteúdos, estáticos e apresentados sem interesse nas salas de aulas, respondendo a testes que obedecem à estrutura dos exames nacionais, como se de um treino para uma maratona se tratasse. Não interessa que os alunos sejam criativos e flexíveis o suficiente para se adaptarem a novas realidades literárias. não interessa que os alunos aprendam outros textos, mais voltados para a realidade (sem esquecer que, no caso de Saramago já há o filme do Ensaio Sobre a Cegueira; e já existem 2 filmes sobre O Crime do Padre Amaro, um deles até português). Não interessa nada disso. Interessa a manutenção de um status quo que para sempre levará os alunos à angústia dos exames nacionais e ao estudo «marrado» para cumprirem os trâmites formais dos exames.

E daí, complicam-se as coisas. Vamos a colocar Os Lusíadas sem exercício comparativo com A Mensagem. Assim, os miúdos não estão à espera e espetam-se... heheheheh.

Muito bem. São estes os nossos líderes.

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A Geração dos «Peter Pan»'s

As transformações culturais e sociais que o mundo tem vindo a sofrer nas últimas décadas reequacionaram os tecidos empresariais, as interacções sócio-culturais, as trocas comerciais internas e externas, e colocaram em questão conceitos que eram tidos por todos como relativamente estáveis.

O aumento da esperança média de vida obrigou a uma reestruturação dos limites de idade das etapas da vida de um indivíduo. Hoje, é-se jovem até aos 35 anos, consoante a classificação que se quer adoptar, e trabalha-se até à idade com que antigamente se gozava há muito a reforma.

Com a melhoria das condições de vida nos países industrializados chegaram também maiores exigências de qualificação para o primeiro emprego que aumentaram em muitos anos a idade com que os jovens saem de casa de seus pais.

Actualmente, após um período cada vez mais alargado de especialização e de qualificação, os jovens enfrentam um mercado de emprego altamente competitivo e qualificado, que os obriga a uma maior dependência em face dos progenitores. Assim, o abandono da casa dos pais faz-se cada vez mais tarde, o que comporta maiores encargos às famílias e, consequentemente, uma redução do número de descendentes.

Não obstante, ao saírem de casa dos pais mais tarde, a contribuição que esses jovens poderiam ter para a economia imobiliária, para o mercado de emprego, para a qualificação e desenvolvimento da sociedade faz-se também mais tarde. A emancipação dos jovens torna-se cada vez mais tardia e o papel que os mesmos assumem na sociedade é adiado e hipotecado.

Contudo, e para que se possam emancipar, são necessárias condições sociais que permitam a aquisição de uma primeira habitação, é necessário existir uma certa estabilidade ou garantia de empregabilidade que permitam aos jovens a assunção do risco com autonomia e confiança num futuro que, embora incerto, é indiscutivelmente deles.

Enquanto essa emancipação não ocorre, a economia torna-se refém dos que se encontram no mercado de trabalho, contribuindo ao mesmo tempo para os que ainda não trabalham e para os que já deixaram de o fazer.

Para que ocorra essa emancipação é necessário que os jovens assumam o risco do papel que terão que desempenhar na construção do seu futuro. É urgente a redefinição do conceito de «emprego para a vida», de «pertença de um qualquer quadro», da antiga ideia de «funcionário público e estável». O mundo está menos estável e mais mutável, mais flexível, assim como os empregos que oferece. É preciso que o empreendedorismo faça parte da nossa sociedade como garante das condições de risco para a emancipação dos jovens e entrada no mercado social e económico.

Essa entrada é, per se, um factor de inovação e de mudança. Um factor que contribuirá para o desenvolvimento social, económico e cultural da nossa sociedade. Para tal, há que redefinir conceitos, de acompanhar a moldura presente de empregabilidade e perspectiva de futuro. No entanto, são igualmente necessárias condições para que tal ocorra. As condições são da responsabilidade dos governos. A vontade, dos jovens.

Enquanto esta emancipação não se verificar, viveremos numa geração em «pausa» e hipotecada, que padece daquela que é a síndrome de Peter Pan. Tal como conhecemos da história do Walt Disney, e mais tarde adaptada à terminologia psicológica, Peter Pan era aquele «eterno miúdo» que se recusava a crescer, que não queria ser adulto, que queria ser eternamente jovem.

Pois bem, enquanto os jovens não sentirem que podem arriscar a serem adultos, os pais vão ter muito que se preocupar e pouco dinheiro para gozar da reforma, reféns que estarão da manutenção da qualidade de vida dos filhos que não conseguem sair de casa.

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De Novo o Jardim

Parece mentira, mas afinal é verdade. Acabo, mais uma vez, por ter de falar no Alberto João Jardim e na sua forma de actuação política. Mas é que chega a roçar a surrealidade: um Presidente de um governo regional que é alvo de um voto de protesto pela oposição nem aparece no hemiciclo, assim como o seu vice-presidente.

Coincidências, poderão alguns dizer. Aconteceu, pensarão outros. Mas a verdade é que estas coisas não acontecem nem podem de forma alguma ser uma coincidência. Estamos perante mais um claro exemplo da forma de trabalho deste senhor: ao estilo do «quero, posso e mando», do «eu mando que tu queiras, possas e mandes, como eu quero».

A falta de democracia é uma grande falha no governo regional da Madeira. Já muitos apontaram, escreveram sobre isso e lamentaram essa realidade, embora nada fosse feito nem evoluísse num sentido mais civilizado. Para além de todas as injúrias ao continente português - que tanto caracterizaram a actuação de Jardim - houve também o caso diplomático dos «chineses» (atenção às aspas), a não recepção do Presidente da República na Assembleia Regional da Madeira, e, agora, a falta de comparência quando está em votação um voto de protesto.

Estou mesmo a imaginar alguns laranjas a dizerem: «aqueles do PS é sempre a mesma coisa, sempre a chatear e a chatear e a chatear, claro que um homem fica farto e acaba por não alinhar nas coisas da oposição. Acho que fez ele muito bem.» Mas este é um discurso falacioso. Um presidente de um governo (seja ele regional ou nacional) não pode, sob pena de enveredar pelo discurso baixo, deixar-se levar por tiques, por questões individuais ou más-disposições.

Um representante de um governo deve ser superior a isto. A bem da democracia e da sociedade em geral.

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A Falta de Educação de Jardim

Não é a primeira vez que o líder do Governo Regional da Madeira, o dr. Alberto João Jardim, assume atitudes públicas que roçam a falta de decoro e até mesmo a falta de educação. Seja nos seus habituais comentários separatistas em relação ao continente português, seja na atitude depreciativa com que trata os representantes eleitos da oposição ao seu governo, o líder madeirense tem vindo a revelar-se um homem cada vez mais desbocado e descontrolado.

Muito recentemente João Jardim ultrapassou a barreira do «roçar» de falta de educação e passou já a fasquia daquilo que deveria ser tolerado em democracia. Fê-lo quando não quis realizar uma sessão solene de recepção à visita oficial do Presidente da República na Assembleia Legislativa da Madeira. E fê-lo com a conivência e o conhecimento prévio do próprio visitante.

A conivência surge quando o Presidente da República Portuguesa, o dr. Cavaco Silva, não só aceita os termos disparatados do líder madeirense, como também tenta desvalorizar o caso, remetendo-se ora ao silêncio ora à contemplação da maravilha do estado de tempo que fazia na Madeira.

O conhecimento prévio, que torna ainda mais grave esta cedência, surge do facto de não haver visitas oficiais programadas sem agenda. E a agenda que deverá nortear a visita do PR à Madeira foi decerto enviada com antecedência para tomada de conhecimento. Não há, portanto, um efeito de surpresa e de reacção de momento.

Este é um sinal preocupante para a democracia portuguesa, uma vez que sempre se realizaram sessões solenes nos parlamentos quando há uma visita oficial do Presidente da República. Aconteceu nos Açores, deveria ter acontecido na Madeira. E para além de preocupante, é verdadeiramente inaceitável que o mais alto dirigente do país prescinda desta sessão solene tendo como única base de justificação o suposto medo de que se envergonhasse com o «bando de doidos» que é, segundo a opinião de Jardim, os deputados da oposição da Assembleia Legislativa da Madeira.

Há que ter em conta que a simples adjectivação de «doidos» é não só depreciativa como altamente ofensiva para os deputados da oposição, legitimamente eleitos pelo povo em sufrágio democrático, e estende-se igualmente ao povo que neles votou, uma vez que a responsabilidade da eleição recai em última análise sobre ele.

Com esta recusa, Jardim justificou, mais uma vez, porque é que tantos são aqueles que olham com preocupação a (des)governação social-democrata da Madeira. É porque, ao impedir a realização da dita sessão solene, Jardim está simultaneamente a impedir o pleno exercício da democracia, recusando o direito à liberdade de expressão daqueles que têm uma visão de liderança e governo diferentes da do seu presidente. A Assembleia Legislativa é, por excelência e por definição, um lugar de democracia, um lugar de liberdade de expressão,

Porém, este é o clima que se respira na Madeira: um clima de repressão, de intolerância e de asfixia da democracia e da liberdade de expressão. Na realidade, na Madeira vive-se um clima de preocupante autismo político e de franca falta de educação democrática, que nos deverá preocupar a todos, portugueses, e mais especialmente a nós, açorianos.

Tal como a Madeira, vivemos numa região autónoma e prezamos, acima de tudo, esta autonomia de que dispomos face ao Governo da República. No entanto, torna-se necessário esclarecer (as vezes que forem necessárias) que a realidade social da Madeira em nada se assemelha à dos Açores e que, ao contrário de lá, nós por cá ainda vivemos em democracia e assim continuaremos por muito tempo.

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Os Buracos da Democracia - sobre Mário Machado

Não há nada mais entusiasmante do que acordar e ligar a televisão para ver e ouvir nas notícias da manhã as declarações contidas e muito ponderadas do ultra-nacionalista Mário Machado. Nas suas declarações, o racista e xenófobo alterou um pouco o seu discurso, falando de prisão preventiva injusta e questões de liberdade de expressão e de individualidade.

O que me preocupa não é somente o facto de existirem pessoas agressivas, intolerantes, xenófobas e racistas. É claro que tal facto é deveras preocupante e merecedor de atenção, nem que seja pela protecção de ideias futuras e da manutenção de uma certa «paz» social que pugna pela liberdade, igualdade e inclusão social de todas as raças, credos e convicções.

O que me fez mais «espécie» neste caso foi a mediatização excessiva de que Mário Machado e os seus iguais foram alvo e que, agora, vêm usar o argumento de estarem a ser privados da liberdade de expressão como justificação para o julgamento de que são alvo. Mais, Mário Machado afirmou ser um bode expiatório e estar a servir de exemplo a uma sociedade e justiça que não lhe dá o direito de falar.

É aqui que se abre o primeiro buraco da democracia. Fala quem quer, como quer, da forma que quer, sem olhar a quê, a quem nem como.

Dito assim é o prenúncio de um movimento anti-democrático. Mas não, de forma alguma. Que fique bem claro que eu sou um acérrimo defensor da liberdade de expressão e de imprensa assim como dos direitos e liberdades do indivíduo.

No entanto, não nos podemos esquecer que, no caso específico do Mário Machado e dos seus seguidores e semelhantes, não está apenas em causa o conteúdo do que se fala: está também em causa a consequência desse falar. É que o resultado prático do falar racista é a intolerância, a ignorância, o medo e a violência dos «nossos» contra os «outros», como se não houvesse uma sociedade global, cidadãos do mundo nem democracia como ideal máximo a que todos nós aspiramos.

Mário Machado e os seus são atentados vivos à democracia, são os ratos que roem o queijo sem que nos dêmos conta, disseminando a sua mensagem anti-democrática e retrógrada, apoiados em mecanismos sociais de liberdade de expressão e livre iniciativa, que foram estes criados pelo sistema democrático per se.

Faz-me confusão e medo ouvir um racista, xenófobo e agressor, falar com tamanha calma, usando os meios de comunicação social que a democracia lhe providencia, para se fazer de vítima perante uma suposta justiça parcial. Se calhar, como eles fazem a justiça também pelas suas próprias mãos, parcial então por definição, também para eles deveríamos fazer justiça parcial.

Não, estou a divagar. O que se deveria era não dar atenção a estas bestas humanas, não lhes dar tempo de antena nem imagens na televisão, não lhes dar voz nem meios de comunicação de imprensa livre. Deveríamos, isso sim, votá-los ao abandono e ao esquecimento. Talvez assim, gradualmente, a sociedade se esqueça de que já viveu alturas em que um homem odiava outro homem por este não ser igual àquele.

Como se soubéssemos de antemão o que é ser igual e o que é efectivamente diferente.

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O Apoio à Criação Jovem

Na senda da publicação da reportagem «Lugar para os Jovens Criativos», na edição de 4 de Maio da revista do Diário Insular, foram abordadas problemáticas de incentivo à criação jovem que se têm tornado cada vez mais importantes e potencialmente enriquecedoras para o desenvolvimento da nossa sociedade.

Penso ser pouco discutível que o papel dos organismos públicos na promoção cultural deverá ser o de, a par da programação cultural que lhes é inerente, dotar a sociedade de infra-estruturas e mecanismos que permitam o apoio e divulgação dos novos valores criativos da sua sociedade, especialmente os das camadas mais jovens.

Contudo, assistimos ainda a uma reserva e inércia na assunção deste papel, especialmente na sua vertente mais experimental e contemporânea. A verdade é que os responsáveis pela disponibilização dessas infra-estruturas (algumas das quais já existem) e pela promoção dos mecanismos de apoio e divulgação dos mais jovens ainda não se aperceberam do imenso potencial que tal papel poderá desempenhar no desenvolvimento da sociedade. E do potencial das camadas mais jovens nesse papel.

Continuamos a assistir à recusa e à resistência à inovação, disfarçada sob o manto difuso e discutível de uma suposta «qualidade» que, refém dos cânones instituídos da açorianidade e cultura tipicamente açoriana, se mistura muitas vezes com o gosto pessoal de quem desempenha cargos de responsabilidade. A confusão entre «qualidade» e «gosto» permite uma escolha muito mais definida e confortável, é certo. Aquilo de que se gosta, apoia-se. O resto, não. Até faz sentido.

Apesar de tudo, torna-se impreterível discutir o papel que os espaços públicos de cultura deverão desempenhar no seio da nossa sociedade. Deverão esses espaços encarregar-se apenas da importação de valores culturais externos, sob a certeza da comercialidade e de casa cheia, por vezes assumindo custos altíssimos? Deverão preocupar-se somente com a promoção e disponibilização de valores comerciais instituídos da açorianidade – com as eternas baleias, o folclore, a bruma, e demais categorias açorianas de cultura, nas quais a geração contemporânea de jovens não se revê? Ou, por outro lado ainda, deverão estes espaços públicos permitir a divulgação à sociedade daqueles que são os valores não-instituídos e não-canonizados e, como tal, reféns de uma assistência diminuta? Ou deverá o papel dos espaços públicos ser o da harmonia – tanto quanto possível – entre o comercial instituído (importado e regional), ao mesmo tempo que se disponibilizam espaços e mecanismos que permitam a promoção de novos valores culturais (importados e regionais)?

Para mim, considero ser esta última a opção mais sensata. Os espaços públicos são, por definição, pertença da sociedade em geral. E se artistas menos conhecidos – ou jovens artistas em início de carreira – estiverem interessados na utilização desses espaços para a divulgação e promoção da sua arte, penso que deverão ter todas as condições ao seu dispor para o fazer. No entanto, acho importante que os espaços destinados a este tipo de promoção sejam, por natureza do propósito, diferentes dos utilizados para a promoção e divulgação dos valores instituídos. De outra forma, neste momento, não faria sentido.

Ao encontrarem tantas barreiras durante tanto tempo à promoção da sua arte, é natural que a tendência dos jovens artistas seja a da resignação. Não obstante, esta não poderá ser a única desculpa para a não persistência da apresentação dos projectos culturais da juventude. Torna-se cada vez mais urgente que os jovens artistas assumam o seu papel social, que o debatam e reivindiquem, sob pena de o estado das coisas se manter estático e inalterado por ainda mais tempo.

O Labjovem – I Concurso Regional de Jovens Criadores – promovido pelo Governo Regional dos Açores e pela Direcção Regional da Juventude, assim como a aposta da Câmara Municipal da Praia da Vitória na construção da Academia de Juventude são dois exemplos de como existem visões estratégicas e vontade de mudança. Para além disto, existem infra-estruturas e espaços públicos suficientes para que os jovens desenvolvam em pleno as suas capacidades e as revelem ao público – o grande interessado na diversidade da oferta cultural.

Enquanto os jovens artistas não assumirem o seu papel social e não decidirem lutar pelo espaço cultural, que lhes é, em última análise, pertença natural, as coisas continuarão assim: à espera da mudança.

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RE: Está Tudo Bem?

Em resposta a um artigo de opinião da minha autoria acerca da criminalização das drogas, o Sr. Luís Carneiro, em pleno usufruto dos seus direitos, apresentou as suas refutações face àquilo a que designou de «acusações» contidas no meu artigo inicial.

Tal como ele, também eu gostaria que esta questão não se arrastasse por muito mais tempo. Não obstante, e face ao teor erróneo das suas afirmações, considero necessário esclarecer alguns pontos, sob pena de se perpetuarem ideias falsas.

Em primeiro lugar, quando alguém publica um artigo de opinião, não o faz referindo a profissão que desempenha a não ser seja relevante para o conteúdo do artigo que assina. Assim, se um membro de um órgão de uma estrutura partidária assina um artigo de opinião como vice-presidente desse mesmo órgão, é entendido pelos comuns dos mortais que aquela é, efectivamente, a posição oficial do órgão. Caso contrário, assina-se com o nome sem designação de pertença. Desta forma, acho perfeitamente lícita a preocupação por mim revelada quando a posição da JSD/Terceira é a de criminalização da droga e a posição da Comissão de Ilha da JSD/Terceira é, não só contra a criminalização da droga como também a favor da sua liberalização.

Em segundo lugar, se uma deputada de um partido (neste caso o PSD) assina um artigo de opinião indicando o seu correio electrónico na Assembleia Legislativa Regional, é igualmente lícito assumir-se que aquela é uma posição oficial do partido e não um mero artigo de opinião de uma cidadã anónima. Ou não será?

Em terceiro lugar, nunca esteve em causa a pluralidade de opiniões e a liberdade democrática que nos permite ser seres pensantes e detentores da nossa própria opinião. Mal seria se uma estrutura partidária de juventude não fosse um espaço de pluralidade de opiniões e de debate. No entanto, as posições oficiais de uma estrutura não deverão ser confundidas com as dos seus membros como indivíduos e cidadãos. E esta separação faz-se na assunção ou não dos cargos que detemos.

Mais a mais, a desvalorização da informação da Internet é abusiva, uma vez que diversos institutos, como o caso do Instituto da Droga e da Toxicodependência (www.idt.pt) e do Instituto Nacional de Estatística (www.ine.pt), se servem deste meio de comunicação para publicarem as suas conclusões e dados. Segundo João Goulão, presidente do IDT, «a descriminalização dos consumos foi uma conquista civilizacional coerente com a ideia de que um toxicodependente é um doente e não um delinquente. Se este ante-projecto [de criminalização] avançar trata-se de um retrocesso». Como pode ver, não é um “qualquer” site da Internet. E como se pode depreender, não é uma pessoa qualquer que é citada.

Para finalizar, e são estas as acusações que mais revelam ignorância e leviandade da actuação política, se há estrutura de juventude na ilha Terceira que ninguém até há muito pouco tempo conseguia identificar ou encontrar rosto visível era precisamente a JSD/Terceira.

Se o presidente da Comissão Política da JSD/Terceira não tem conhecimento da JS/Terceira é porque acabou de chegar e ainda não fez o trabalho de casa. É de muito mau tom não se saber de onde se vem e falar-se como se o soubéssemos. Como diz o ditado, «a ignorância é atrevida» e é-o tanto mais quanto a sua voz se faz ouvir.

Se há estrutura de juventude partidária na ilha Terceira que se tem debatido pela defesa dos interesses dos jovens é a Juventude Socialista. Do empreendedorismo à habitação, da emancipação jovem ao primeiro emprego, da cidadania e qualidade de vida aos hábitos de vida saudáveis, da toxicodependência à luta contra a SIDA e à sexualidade saudável, da solidariedade social a muitos outros assuntos relevantes para os jovens açorianos e terceirenses, a JS/Terceira tem desenvolvido actividades políticas, lúdicas e de esclarecimento que têm há muito contribuído para o debate destas questões.

Para não me alongar muito, refiro apenas o «Juventude Em Movimento», debates abertos à sociedade e nos quais se abordaram diversos assuntos; as festas anuais de comemoração do Dia Internacional da Luta Contra a Sida, com a distribuição de informação e preservativos em locais de diversão nocturna (antes da JSD); a campanha «Um Brinquedo Um Sorriso», de angariação de brinquedos para os jovens desfavorecidos; a mais recente «Jovens Solidários», a decorrer presentemente com os idosos da freguesia do Posto Santo; as visitas a estabelecimentos de ensino, comércio, prisionais, entre outros. Estes exemplos, de entre muitos, servem apenas para elucidar um pouco do trabalho que tem sido desenvolvido pela JS/Terceira, em prol do desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida dos jovens terceirenses e açorianos.

Tenho efectivamente muita pena que o Sr. Luís Carneiro só agora tenha acordado para o mundo e para a existência da JS/Terceira. Errar é humano, faz parte do crescimento. Mas sugiro-lhe, em abono da verdade e do trabalho democrático credível e sustentado, que não volte a proferir acusações de inexistência da JS/Terceira da forma leviana e ignorante que fez.

Até este último meio ano (curiosamente muito próximo do período eleitoral) a JSD/Terceira era uma estrutura moribunda, sem actividades nem movimentação visível, sem líder nem funcionamento. Convidada que foi, por exemplo, para os debates da Juventude em Movimento, nem se dignou a responder. Por isso, sejamos honestos no debate democrático e concentremo-nos no que é verdadeiramente importante: as condições de vida dos jovens açorianos.

Para terminar, e uma vez que desempenho as funções de secretário-coordenador da JS/Terceira, considero importante referir que esta é a posição da JS/Terceira que, por acaso, é coincidente com a do seu secretário-coordenador como indivíduo. Esta é a razão pela qual, em resposta a um artigo de opinião individual, assino este artigo com a designação do cargo que desempenho.

Rogério Sousa

Secretário-coordenador da JS/Terceira e Vice-Presidente da JS/Açores

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O Regresso do Filho Pródigo

No passado dia 23 de Abril foi inaugurada uma exposição sobre a vida de José Saramago, que pode ser visitada no Palácio da Ajuda. Intitulada «A Consistência dos Sonhos», esta exposição conta a história da vida do escritor, com o auxílio de manuscritos, primeiras edições, fotografias, e demais parafernália de objectos que poderão elucidar o comum dos leitores acerca da vida e obra do único Nobel de literatura português.

O único Nobel de literatura português. Um escritor a quem foi recusada a participação num prémio internacional pela sua obra O Evangelho Segundo Jesus Cristo, pelo então ministro da cultura do PSD. Essa obra, considerada por críticos internacionais como uma das suas obras-primas, tinha tanto de inovadora como de polémica e, para não ofender as mentes católico-cristãs-puritanas, o governo de então achou por bem não colocar a obra à consideração do júri que atribuiria o prémio.

Saramago decide, não por isto mas também, viver longe de Portugal, em Lanzarote. Um ilha. Como as nossas, bastiões de autonomia e de distância em face do continente.

Partiu amargurado. Partiu triste com o seu país e com a falta de reconhecimento da sua obra. Mas partiu ainda mais triste por ver que a censura não parte de organismos mas da mediocridade da mente de alguns governantes. O que lhe deu ainda mais força na sua crítica social-religiosa-moral patente na sua obra.

Entretanto ganhou o Nobel. E foi recebido em braços, a felicidade estampada nos rostos das pessoas que viam naquele senhor a personificação da internacionalização da literatura portuguesa a seguir a Camões ou Pessoa. Era ele. O D. Sebastião da Literatura que regressava a casa, para se desdobrar em conferências e em entrevistas, em reportagens e notícias, em doutoramentos honoris-causa e demais prémios. Para além do prémio monetário do Nobel.

E voltou para Lanzarote.

Agora regressa com uma exposição sobre a sua vida, quando conta com 85 anos e um livro ainda a ser escrito. Quando a genialidade da sua escrita e o alcance da sua intervenção foram já internacionalmente reconhecidos e, finalmente, por Portugal. Quando o Memorial do Convento passou a ser parte integrante do programa do 12º ano de escolaridade.

E o Primeiro-Ministro diz: «Quero que ele saiba que nós gostamos dele, que nós o estimamos e que temos muito orgulho em tudo o que fez pela Língua Portuguesa e por Portugal».

E Saramago responde: «obrigadinho».

Mais nada. Obrigadinho. Como dizemos quando estamos a fazer alguma coisa de importante ou cansativa e as pessoas à nossa volta não nos ajudam; como quando estamos a trabalhar e os nossos colegas estão a olhar para o dia de amanhã. Dizemos: obrigadinho.

Perante a tristeza das palavras de José Socrates. Homónimo apenas no primeiro nome, limitado literariamente como já demonstrado ao longo da sua governação, não consegue dizer nada mais do que «gostamos dele», «estimamos» o homem, temos muito «orgulho em tudo o que fez...»

Mais nada.

A isto o que se responde sem se ser indelicado?

Pois bem, diz-se «obrigadinho». É-se irónico. Nada mais.

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