A Independência da Madeira?

Parece mentira, mas é verdade. Numa entrevista ao DN, o presidente do Clube Desportivo Nacional da Madeira, Rui Alves, faz algumas afirmações dignas de se lerem e preocupantes o suficiente para se repudiarem.

Em primeiro lugar, o considerar que seria possível a Madeira ser independente. Não só o considerar como mera hipótese hipotética (passe o pleonasmo) mas como possível e desejável no futuro. A pensar na Madeira como um caso de país basco ou qualquer outra declaração de independência faz-me pensar seriamente que os madeirenses têm um problema de ego e de afirmação para com o continente e, consequentemente, para todos nós, portugueses que olham para Portugal como um todo.

Em segundo lugar, a afirmação de que há um sentir madeirense e um sentir continental. É claro que a forma de sentir de um continental é diferente da de um ilhéu. Nós também o sentimos nos Açores. Mas daí a fazer um grito do Ipiranga vai uma grande distância que o resto das regiões autónomas talvez não estejam em sintonia.

A terceira afirmação que acho de analisar é a de que toda a gente tem problemas com a língua portuguesa. Não sei que língua é que se fala na Madeira, mas tenho a ideia de ser parecida com a portuguesa. Mas pronto, sendo ele um dirigente desportivo, faz todo o sentido que o cérebro dele não esteja em sintonia com o uso de palavras que não as relacionadas com bolas e balizas. Mas é isso que temos, um conjunto de cabecinhas pensantes que só conseguem raciocinar em monossílabos e semelhantes.

E depois a estupidez de sair do país quando o ditador sair do poder. É normal, sai quem manda, sai quem é mandado, como cãozinho amestrado que é...

Paciência, de novo. É esta a porcaria que grassa em alguns círculos "pensantes" madeirenses.

Ainda bem que sou açoriano.

Deus lhe perdoe a ignorância e a coragem de a demonstrar.


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A (des)responsabilização da indisciplina

No rescaldo da célebre questão da aluna que agrediu a sua professora por causa de um telemóvel, e em resposta ao Procurador-Geral da República, o Bloco de Esquerda mostrou-se completamente contra qualquer tipo de judicialização da indisciplina nas salas de aula.

Pessoalmente, para mim que considerava a Ana Drago um exemplo a seguir, esta tomada de posição veio confirmar a ideia despreocupada e inconsequente do Bloco de Esquerda ao tratar de assuntos de educação, já antevista aquando da proposta de aulas a pares de línguas estrangeiras. O Bloco de Esquerda apresenta um discurso bastante apelativo aos jovens de classe média, que, chateados com o mesmo em todo o mesmo lugar, continuam a pugnar por uma visão utópica da prática. A teoria funciona sempre na discussão intelectual da esquerda-mais-à-esquerda mas revela, em última instância, um desfasamento da realidade deveras preocupante.

O que o Bloco de Esquerda parece esquecer, sob o manto protector das liberdades do indivíduo-estudante, é que há uma franca diferença entre o conceito de «indisciplina» e «crime». Configura-se como «indisciplina» toda a falta de acatamento de decisões do docente, por parte do aluno, assim como manifestações mais impulsivas de discordância e tomadas de posição que deverão, mais que tudo, ser encorajadas como mecanismo de argumentação e de defesa dos direitos básicos dos cidadãos activos e participativos. Não queremos, de forma alguma, alunos estáticos, presos a um conjunto de regras às quais obedecem cegamente, sem poder de discussão nem discordância. Pelo contrário, precisamos formar alunos pensantes, criativos e com poder de decisão e de pensarem pela sua cabeça. Nesta abordagem, são muitas as manifestações por parte dos alunos que poderão ser entendidas pelos docentes como «indisciplina».

Outra coisa completamente é a o «crime» de agressão física e o atentado à integridade física ou moral do docente por parte do aluno. Quando se atinge este patamar de insubordinação já não poderá ser apenas a escola, como defende o Bloco de Esquerda, a tomar o pulso à situação. A escola, como espaço de educação e formação que é, deverá pugnar sempre pela manutenção de um certo «status quo» que permite, senão mais do que, pelo menos a estabilidade da tradição. Mas a escola não pode sobrepor-se ao papel das forças de segurança pública que trabalham no nosso país.

Se um aluno agride um docente, a resposta a esta situação não estará de forma alguma na aplicação de sanções disciplinares dentro do campo escolar, até porque o crime em questão extravasa a comunidade escolar e desemboca num atentado social, altamente reprovável e, como tal, punível civilmente.

Compreendo a argumentação teórica, mas não posso aceitar a expressão prática desta ideia. A escola não é um substituto social. Vive e trabalha em conjunto com a sociedade cá fora e, como tal, quando a questão se impõe a um nível de atentado à liberdade individual, consagrada na Constituição e não num regulamento interno de uma instituição de ensino, então as sanções aplicadas terão de ser de índole social e nunca escolar.

É precisamente por esta separação entre escola-sociedade (à laia da laicização do estado) que permite que uma aluna agrida uma professora (ou vice-versa) e nada lhe aconteça do ponto de vista social.

Que pena, Ana, agora que começava a achar-te diferente...

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A (re)descoberta da frescura da montanha


Como se eu, quando era novo, já tivesse estado numa montanha. Só há pouco tempo, em Tiessen, Suíça, é que tive o prazer de refrescar corpo e mente na água e no ar das montanhas daquele cantão suíço. No entanto,e entretanto, quando era mais pequeno, havia uma bebida que eu gostava mais do que Coca-Cola, Sprite, 7Up e demais Dr Peppers e coisas e tal. Chama-se MOUNTAIN DEW. E só há coisa de uns anitos é que juntei 1 (montanha) + 1 (frescura da madrugada - dew) e percebi que a bebida tinha um significado. Não era como os demais refrigerantes: ela significava qualquer coisa. E significa A Frescura da Madrugada da Montanha. Sempre é melhor que Doutor Pimenta, Cola de Coca ou 7 Para Cima.

Acabei por comprar 12 para matar a sede :-)

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Os Benefícios da Campanha e-escolas/e-professor/e-aluno

Estava em casa a ver as notícias nacionais e regionais, descansado a preparar uma pizza para colocar no forno, quando vi uma promoção da Worten que anunciava um portátil Acer por 399 euros. Oitenta contos, na moeda antiga, para aqueles que, como eu, ainda conseguem perceber o alcance de certos preços quando os comparam com o «antigamente».

E percebi, pela primeira vez, que os benefícios da parceria entre o Governo e a TMN (mais tarde com a Vodafone e outras operadoras) foi muito para além da possibilidade de disponibilizar (por 150 euros + fidelização dos clientes e pagamento de uma mensalidade de internet) computadores portáteis a alunos, professores e escolas. Esta parceria banalizou de tal forma o valor dos computadores portáteis - visto ainda para muitas pessoas como objectos de um certo luxo e que apenas algumas pessoas, dada a especificidade dos seus empregos, podem utilizar diariamente - que obrigou as empresas a baixar os preços ou, pelo menos, a disponibilizar no mercado português computadores portáteis mais acessíveis.

É porque a questão dos portáteis sempre foi a seguinte: porque hei-de eu comprar um computador pelo dobro do preço de um computador de secretária apenas por uma questão de mobilidade? E porque é que os portáteis são sempre topo de gama? Pois bem, graças a esta parceria entre governo e operadoras móveis, podemos finalmente banalizar o uso dos computadores portáteis e, ainda, adquiri-los com as funcionalidades básicas (sim, porque nem todas as pessoas precisam de bombas para fazer edição de vídeo nem fotografia nos portáteis) e a preços bastante apelativos.

Daqui a nada, estamos a comprar e a trocar de portáteis como quem troca de telemóveis :-)

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JSD (Juventude Sem Destino???)

A Juventude Social Democrata, nos últimos meses, tem dado mostras de que existe, algures no espectro político das juventudes partidárias. Ninguém sabe bem o que têm feito, nem quem são os seus membros e quadros, até porque são poucos os que surgem na comunicação social. No entanto, a verdade é que têm aparecido com uma força desmedida, numa sede de protagonismo perfeitamente legítima para quem é oposição e precisa de ganhar notoriedade.

Não obstante, o que a mim me faz confusão é a aparente falta de destino dessa estrutura. As recentes declarações de Cláudio Almeida vêm demonstrar mais uma vez que a JSD não faz a mais pálida ideia do que é fazer-se política de juventude, nem tão pouco oposição.

Pior do que tudo, parece que os laranjinhas estão a seguir copiosamente os passos dos seus dirigentes, especialmente os passos menos positivos. Neste artigo do Correio dos Açores, não só a JSD não apresenta alternativa nem tece considerações relevantes no âmbito do combate à toxicodependência, como também falseia a análise estatística.

No artigo, pode ler-se que «de acordo com o líder dos jovens social-democratas, no último governo regional da responsabilidade do PSD a taxa de reprovação no 12º ano era de 28 por cento, enquanto que dez anos depois, já com o PS no poder, era superior a 50 por cento.»

Vejamos, durante a governação social democrata não havia o modelo de escola inclusa nem o combate ao absentismo escolar que o governo socialista tem (e bem) vindo a defender nos últimos anos. Não havia, nem estava programado, qualquer tipo de programa de inserção de jovens com dificuldades de aprendizagem, nem adequação do currículo às especificidades das turmas heterogéneas. Aliás, se bem nos lembramos, as turmas de nível (apanágio social democrata) provaram falhar em diversos ramos da educação, facto sobejamente demonstrado.

Mais ainda, uma vez que não havia um modelo de escola inclusa como aquele que foi introduzido pelo governo regional socialista, como se pode depreender, numa análise lógico-científica e honesta, havia menos alunos a terem possibilidade de chegar ao 12º ano. Logo, havia menos reprovações. Resta saber se a análise da JSD é uma análise justa e que contempla a diferença de alunos existente entre ambas as governações, ou se é mais uma análise demagógica e oca de outra significação que um pequeno "brilharete" na comunicação social.

Não basta olhar para as estatísticas na busca de uma conclusão previamente delineada. É preciso analisar com justiça, imparcialidade e sentido de responsabilidade na apresentação de alternativas.

Tal como o PSD nacional (e regional), a JSD Açores está a queixar-se sem apresentar qualquer tipo de solução. Assim, também os meus alunos do 7º ano sabem "malhar" no governo.

Paciência. Esperemos mais alguns anos até a laranjinha amadurecer. Até lá...

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O Empreendedorismo como factor de inovação

A globalização da nossa sociedade trouxe consigo uma realidade universal cada vez mais livre dos constrangimentos das fronteiras físicas, ao mesmo tempo que ofereceu uma nova configuração social do conceito de emprego. Hoje em dia é perfeitamente possível um funcionário trabalhar a partir de casa ou até residir num país distinto do do seu patrão, recorrendo para tal às novas tecnologias de informação.

A natureza da oferta deste tipo de serviços, a par de uma actualização das competências e necessidades formativas dos funcionários fez com que emergissem novas áreas económicas e de investimento, também elas em constante mudança e modernização. Desta forma, é indiscutível que a ideia do emprego estável para toda a vida está em falência e que o futuro reside na constante actualização e permanente construção do currículo do empregado.

O caminho em prol da inovação na nossa região passa, portanto, por uma mudança de paradigma daquilo que é o conceito do trabalho a ser desenvolvido pelos funcionários de empresas ou instituições públicas, quer da parte de quem emprega quer da parte de quem é empregado.

As alterações que o governo regional introduziu na função pública estão de acordo com esta nova contextualização do trabalho: já não faz sentido pensar-se num emprego das nove às cinco, de segunda a sexta, e para toda a vida até ao garante da reforma. As dependências mundiais e europeias são de tal ordem que o campo de acção regional passa também pela abertura a novos mercados e a novas realidades económicas.

O empreendedorismo irrompe na senda desta nova realidade como o caminho para a dotação dos jovens de mecanismos e competências que lhes permitirão movimentar-se de uma forma mais fluida e completa nesta nova economia.

No entanto, ser empreendedor não é apenas o vazio teórico-disciplinar de um conceito moderno. Não é nem pode ser uma disciplina estanque que se ensina com um programa rígido e predefinido como currículo escolar, plasmado num conjunto de pressupostos mais ou menos tidos como certos.

Pelo contrário, o conceito de empreendedorismo traduz-se nas múltiplas áreas de acção às quais é transversal, resultando no desejo de inovação, na vontade da criatividade e numa visão moderna que assume a existência do risco não como um impedimento à acção mas como um pressuposto-base da possibilidade de sucesso.

Numa sociedade que promove o empreendedorismo e acalenta o empreendedor não há lugar para a reprovação quando se falha: o falhanço faz parte do risco e é, senão mais do que, a prova de que houve uma tentativa prévia que não deu frutos. O que interessa, no fundo, é a tentativa em si como motor de mudança e a vontade de voltar a tentar como factor de inovação.

Cabe à nossa sociedade a assunção desta nova realidade e a promoção do empreendedorismo como factor de inovação e garante de futuro para os nossos jovens.

É necessário, para tal, estilhaçarem-se os tabus da segurança de um emprego estável, é preciso incentivar à mudança, à visão criativa e ao risco. É imperativo criarem-se condições que permitam os jovens da nossa região apostar nas suas ideias, desenvolvê-las e serem, no fundo empreendedores. E no caso de falharem, é também o papel da sociedade incentivar à nova tentativa, desmotivando a desistência e promovendo a insistência. Só assim se poderá falar de empreendedorismo, de empreendedores e de uma sociedade açoriana verdadeiramente inovadora.

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