Apresentação do álbum dos GOMA

No dia 4 de Abril de 2009, na sede do Alpendre, os GOMA apresentaram oficialmente o seu álbum homónimo, às 22h00.


Embora o concerto tenha começado um pouco tarde - o que já é comum neste tipo de evento - a apresentação do álbum começou com uma música calma, com Raúl nas teclas e Agostinho na voz, apenas, um registo intimista e muito conciso.

Depois, uma pequena brincadeira de música rock com a marca do fado brejeiro, uma música composta (a não ser que seja uma «cover» e eu não conheço o original) num tom de brincadeira, mas muito bem tocada. 

De seguida, o álbum: as músicas fluiram umas atrás das outras, enchendo por completo o palco e a plateia do Alpendre. As pessoas compunham o espaço muito bem, ficando ainda muitas pessoas na rua, a fumar e a conversar, entrando de vez em quando para ouvir mais uma música.

Gostei mesmo muito da apresentação, do ambiente intimista, das pessoas que lá estavam... enfim, pese embora algumas críticas do espaço, do som e de um ou outro pormenor, a verdade é que os GOMA aparecem ao público num registo muito coeso, com uma sonoridade muito própria, com as variações de voz, os pormenores da guitarra, as escalas do baixo e a perfeição da bateria que nos revelaram uma banda madura e pronta a pisar palcos maiores.

Bem hajam por nunca terem desistido de fazer músicas.

E como gosto muito da banda, adquiri o álbum e tenho-o ouvido desde ontem, no meu carro. Entretanto, enquanto escrevi estas linhas (que mais não são do que a declaração pública do meu gosto pessoal) digitalizei a capa do álbum e «ripei» uma das minhas faixas preferidas e disponibilizo-a aqui para que vocês possam partilhar deste momento.




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Crónica de uma Queda Anunciada

A característica que melhor define a actuação da Igreja Católica ao longo destes últimos 2009 anos chama-se «hipocrisia». É certo e sabido que a diferença entre a palavra da Bíblia e a regulamentação imposta pelos seus representantes tem motivado acesa discussão desde que a Igreja Católica é igreja. Um pouco de leitura da sua história será suficiente para se estabelecer o confortável espaçamento crítico entre o que está escrito e o que é instituído como prática da igreja.

Não quero com isto questionar as palavras da Bíblia – elas estão lá; nem quero, de forma alguma, questionar a autoridade da Igreja perante os seus fiéis – ela existe. Estou apenas a referir-me à diferença que existe entre ler-se «este é o meu sangue» e o assumir-se dogmaticamente que o vinho se transforma verdadeiramente em sangue – é uma questão de fé. Há igrejas que consideram um acto simbólico; a Católica vê o milagre da transubstanciação.

Também não nos podemos esquecer – nem convém, a bem da verdade – que as igrejas que surgiram através de cisões com a Igreja Católica têm como base de desentendimento o significado e posterior prática dos rituais, pressupostos e actuações da mensagem de Cristo. O Novo Testamento é uma base de referência que não é questionada; o que são questionados são os rituais e as obrigações instituídas pelos representantes da Igreja.

Ora bem, as recentes declarações do Papa, em pleno continente Africano, não só caíram mal na comunidade mundial, como geraram uma onda de protesto vinda dos mais variados países, com expressões diversas desde a condenação pública ao envio de um milhão de preservativos para combate à doença.

Num continente que está a braços com a maior epidemia na história do Homem, e onde estão identificados mais de 70% dos casos de infecção do VIH por falta de informação, por preconceitos ou superstições retrógradas acerca da sexualidade, o mais alto representante político da Igreja Católica não tinha mais nada que dizer senão que o preservativo não só não é solução para prevenir a infecção, como em muitos casos é a causa dessa mesma infecção. Então? Estamos a brincar aos líderes radicais?

A comunidade mundial torceu o nariz. E com razão. Andamos nós, cidadãos, docentes, agentes sociais, amigos, companheiros, irmãos e irmãs, numa já longa “cruzada” (a ironia) contra esta doença, informando, ensinando, tentando mudar hábitos sexuais de risco, e é esta a orientação da Igreja? Estamos nós, o resto do mundo, lutando diariamente contra a ignorância humana, em prol da consciencialização e de uma sexualidade responsável, gastando energia e dinheiro em campanhas e acções de sensibilização para tentar manter os nossos semelhantes vivos e livres desta doença, e são estas as palavras do chefe da Igreja Católica?

Ficou muito mal ao senhor Papa, da mesma forma que ficou muito mal aos católicos num todo. Já havia acontecido antes e a rejeição foi semelhante (embora mais contida); desta vez, fruto talvez da pouca popularidade deste Ratzinger, a reacção foi mais agressiva. E ainda bem que o foi.

Como é que podem haver dúvidas acerca da razão da crise de vocação de que tanto se queixam os líderes católicos? Como é que alguém pode procurar conforto e amparo numa igreja autista e desfasada da realidade? E de novo chamo a atenção para o facto de esta crítica estar dirigida aos homens que gerem a Igreja e não à palavra escrita na Bíblia. Já expliquei porquê.

A sorte desta instituição (e se calhar a razão pela qual o título deste artigo jamais se concretizará) é que o seu maior defeito é também a sua maior virtude. Isto é, habituados que estão à velha máxima do «faz o que eu digo e não faças o que eu faço», os católicos têm plena consciência de que entre o que o padre diz e aquilo que é suposto ser feito vai uma grande distância. Tem sido assim, especialmente após o Renascimento e o desaparecimento da ignorância generalizada da Idade Média.

Não obstante, as palavras do Papa caíram mal, como um soco no estômago de todas as pessoas para quem o valor da vida deverá ser mais importante do que a moral. E torna-se estranho, quando a defesa da vida está na base da argumentação utilizada contra a IVG e acaba por ser questionada quando a Igreja rejeita um método que preserva a vida.

Alegar que a mudança das consciências das populações é o caminho ideal para evitar o contágio, está certo. E o mundo concorda. Agora, fechar os olhos para o presente e invocar a moral proibitiva do uso do preservativo, apesar de, em 2007, 22 milhões de pessoas em África viverem com o vírus do VIH, 1,5 milhões de pessoas morreram por causa da SIDA e 11 milhões de crianças ficaram órfãs é, no mínimo, aterradoramente inconsequente. «Shame on you, mr. Pope, shame on you…»

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Pensamento do Dia (1867)

"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago, levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado"

Karl Marx, in Das Kapital, 1867

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Clemente - Vais Partir

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Desenvolvimento Tecnológico - Uma Necessidade Vital

Foi recentemente noticiado que as Ilhas da Coesão terão um serviço de wireless gratuito nos espaços públicos das suas sedes de concelho, como parte do plano de desenvolvimento tecnológico do Governo para a região.

A dotação de meios para a igualdade no acesso à informação e às Novas Tecnologias em todas as ilhas do arquipélago, a par de uma boa rede de mobilidade, são características fundamentais para o desenvolvimento sustentável dos Açores.

A distância física é cada vez mais secundária, por vezes quase negligenciável, desde que as populações disponham de meios de comunicação e de acesso à informação equiparáveis aos centros urbanos do nosso país e do mundo.

Combater a info-exclusão e investir em redes informáticas de grande velocidade é uma aposta ganha na corrida da sociedade de informação, cujos frutos se farão sentir não só a curto, como também a médio e longo prazo.

É frequente ouvir-se certos dirigentes locais reclamarem junto do governo pela não existência de infra-estruturas semelhantes às dos seus vizinhos, com projectos que por vezes nos soam megalómanos, tendo em conta a população das localidades.

Tal como na construção civil, em que se começa pelos alicerces e depois se trabalha no tecto, também no desenvolvimento da nossa sociedade se deve dar primazia às estruturas básicas para depois se pensar nos projectos mais avançados.

Infelizmente, nas ilhas da coesão, estruturas básicas no contexto da modernidade significa a disponibilização de meios de acesso à informação que noutras ilhas já existem em maior escala.

Custa ouvir as reclamações de certos dirigentes quanto à não existência de uma piscina municipal ou de um hotel de quatro estrelas na sua localidade quando, na realidade, as redes de telecomunicações dessas mesmas localidades têm uma taxa de transmissão de informação muito baixa e, como tal, limitam o acesso dos habitantes à sociedade globalizada e informatizada do nosso mundo actual.

É preciso apostar rapidamente na dotação de redes móveis e fixas de alta velocidade, como é exemplo a disponibilização da rede wireless gratuita, permitindo desta forma que todos os açorianos estejam verdadeiramente em pé de igualdade com o resto do país.

Até lá, ainda teremos de ouvir as exigências de pequenos governantes que, não tendo uma banheira para se lavar, reclamam junto do governo um jacuzzi porque o seu vizinho também tem.

 

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A Incomensurável Pequenez do Eu

Após ter decidido fazer um interregno de três meses desde a publicação do meu último texto, e enquanto pensava se deveria ou não voltar a publicar algo de carácter opinativo, eis que leio um artigo sobre a diferença de tratamento entre terceirenses e micaelenses, e o «orgulho ferido» que alguns dos primeiros sentem em relação aos segundos.  (senti necessidade de escrever)

Este tipo de discurso «bairrista» tem estado presente ao longo de toda a nossa história de arquipélago e tenho-o ouvido da boca das pessoas e lido nos mais diversos artigos de opinião.

Devo confessar que quando era mais novo aceitei a preferência do governo por São Miguel em detrimento das outras ilhas como um facto, um dado adquirido na vida insular dos açorianos: os micaelenses tinham tudo e os terceirenses (sem falar nos outros), pobres coitados, não tinham nada.

Contudo, cresci. Vivi em São Miguel durante alguns anos, na persecução dos meus estudos, e fiz amigos lá e em muitas outras ilhas. Tive a oportunidade conviver com mentalidades e de tomar contacto com vivências muito diferentes entre si.

Presentemente, considero ser este um tipo de discurso caquéctico, infundado e muito perigoso, que serve apenas para alimentar rivalidades e impedir o desenvolvimento daquela visão de conjunto que nos deveria caracterizar como arquipélago.

Somos todos açorianos e sentimos o peso da insularidade. Contudo, não devemos basear a nossa actuação num sentimento ressabiado e invejoso perante os nossos semelhantes que, durante o povoamento, se decidiram instalar na ilha que acabou por se revelar ter uma grande capacidade de expansão.

Somos nove ilhas, em tudo diferentes e com características muito próprias, tal como as gentes que as habitam. Mas, deverá o irmão mais novo ralhar com os pais porque o irmão mais velho é bem sucedido? Mesmo que este sucesso tenha uma proporcionalidade directa entre o seu trabalho e as condições de expansão dadas pelos pais? E se o mais novo não trabalha por isso, preferindo fechar-se no quarto a chorar e a dizer que não consegue porque está condenado à partida pela preferência dos pais?

Penso que não deverá. Penso que o caminho para o desenvolvimento das nossas ilhas passa impreterivelmente pelo abandono urgente deste discurso de rivalidade infundada que se baseia na assunção de que «uns têm tudo e os outros não têm nada».

 Enquanto não olharmos para as ilhas como «zonas» de uma região e não regiões em si mesmas (que é o que este discurso acarreta consigo), nunca seremos capazes de criar um sentimento de igualdade que nos permita evoluir e desenvolver os Açores de uma forma justa e sustentada.

 A verdade é que o facto de a Base Aérea nº4 estar sedeada na ilha Terceira não pode (nem deve nunca) ser condição sine qua non para que tudo o que tem que ver com os norte-americanos seja feito nesta ilha. Não nos faltava mais nada senão a Horta reclamar para si o domínio de tudo o que diz respeito à vela, porque a história lhe pertence. Ou ainda tudo o que for feito sobre Antero, Natália, Domingos e outros ser feito única e exclusivamente em São Miguel. Ou em primeiro lugar.

Os Açores já estiveram mais divididos, é certo. Ainda me lembro de se provocarem discussões e brigas com os «de fora» porque eram de São Miguel, particularmente. Vulgares demonstrações de ignorância que felizmente se esbateram graças à melhoria das possibilidades de deslocação dentro e fora do arquipélago.

 Serão estas condições de mobilidade que vão permitir que esta ideia de arquipélago se revele e se instale na matriz de vida das gerações futuras. Os nossos jovens já partilham desta visão – basta vê-los de ilha em ilha em festivais, festas de freguesia e visitas aos amigos.

Mas até as rivalidades se esbaterem é necessário lutar contra estas vozes dos «desgraçadinhos», estas teorias da conspiração e da inveja, e trilhar um caminho uno, múltiplo e irmanado. O passado deve servir de guia, nunca de âncora.

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